Saturday, June 12, 2010

Bicho na Cidade Selvagem



E no fundo somos catastroficamente ingênuos. O pior que temos uma boa assimilação com o real, mas acabamos por ser decaídos, traídos pelo próprio pensamento.

Entendo bem porque meu tempo foi preenchido, mas eu havia esquecido das causas disto. Docemente-amargamente me vem o por quê, a razão de um cotidiano cheio propositalmente.

O que eu estou achando disto tudo afinal? haha! Não há nada que não seja uma repetição.

Bem, vou voltar pra minha velha natureza com animais institivamente selvagens.

'Meau'.

Friday, June 11, 2010

Sentimentos Nômades




Simplesmente não fomos feitos pra isso. Digo 'nós', sempre 'nós', porque somos vários de si dentro de um só. Múltiplos e opostamente solitários nessa diversidade.

Lembro-me vagamente da idade pueril, do meramente 'ser'. E já carregávamos consigo este fardo que vem remissivamente nos torturar de tempos em tempos.

É como se um peso tremendo repousasse sobre o peito e arrancasse a cada descompasso de tempo um pedaço do restinho do sopro de vida que ainda resiste lá dentro.

De tão inumana que nós somos na essencia, resolvemos cair no deleite dos sentidos mortais.

Mas nós sempre soubemos que não fomos feitos pra isso.

Ou estamos totalmente enganados. Talvez sejamos os verdadeiros humanos nessa história de terror cotidiana. Somo tão humanos que sofremos por isso constatemente. E ser isso nos sufoca, ao ponto de querermos abdicar desses sentimentos.

E mesmo quando queremos nos largar, nos despedaçamos naquilo que nos torna hu-ma-nos.

Pior ainda é confessar que sentia saudades disso. A falta de si para-si.

Bem, a conclusão é sempre a mesma.

A inevitável necessidade de ir embora daqui.

Thursday, December 3, 2009

Moralidade

Homens, mulheres, pessoas e cacos de seres. Como se não bastasse esta pequena e miserável esmola do dia-a-dia, vem a doce e amável expectativa. Ela é cruel, contamina nossos mais bondosos e singelos pensamentos(na verdade daquilo que chamamos de coração). Acabamos por cair no engano originado da nossa própria natureza: a esperança. Mas ela é frívola porque foi contaminada pela humanidade, que febrilmente a utiliza com um débil descaso do impacto causado pela não concretização, ou mesmo pela impossibilidade atribuída pela "impessoalidade".
Queria eu poder dizer que sinto raiva de toda essa bolha que fui envolvida e que por estar dentro dela pensei que o improvável fosse palpável. Dar uma chance! Oh como dar uma chance tem um preço amargamente doloroso! De tantos dissabores nesta vida, o pior deles é amar o ser possível, o ser em potência, o ser contingente. Continuamos nesta linha férrea, vemos que não tem final enquanto continuamos a ter consciência do que se passa na viagem, e que, sinceramente preferimos continuar livres e límpidos do ideal que não escolhemos: o outro.
Novamente entendemos aquilo que infelizmente já sabiamos: nada na terra é suficiente. Bate uma vontade súbita, como um toque de recolher: Vamos? Vamos nos esconder!!! Mas vamos furtivamente desaparecer... de que? De nós, dos imperfeitos humanos. Por que? Por causa do cansaço de uma inutil luta, do tempo enganoso e doloroso que se passa, dos olhares amantes que não são amados, das perguntas e esperas não correspondidas, e finalmente, da dor fictícia e absurda da alma.
Você sabe do que nós precisamos agora? Eu preciso cair no esquecimento. Moral kantiana? Não! Trate as pessoas como um meio. O fim é algo que é seu por natureza.

Sunday, September 13, 2009

As Folhas Brancas Caem

No outono das mudanças a seiva escorre com tempo e nós já não sabemos mais quem somos. Com a visão tremida tentamos ler o que a luz, que deveria esclarecer, dificulta mais ainda nossa compreensão.

[editado - 5 parágrafos inúteis]

Sorte a minha, sorte a nossa. Apesar das minhas palavras crueis, eu ainda sim gosto.

Tuesday, June 23, 2009

O que é a vida?

A vida é respirar sem nunca ter tido a chance de escolher isto. É conviver todos os dias com nossa injustiça, insignificancia e ignorancia. É acreditar em algo que não tocamos, vemos, sentimos ou sabemos o que é ou o que foi, mas mesmo assim acreditamos. Eu poderia dizer de inumeras formas o que é a vida pra mim, mas nenhuma delas seria suficiente pra nós, porque a vida não passa do reflexo de nossa própria incompletude.

Monday, May 18, 2009

Desfocalizando.

Gostaria de saber como você consegue sobreviver sentindo-se como um intruso no mundo. Sim, pois, passa os dias invadindo a vida que mais parece um presente que tomou posse simplesmente porque o dono não apareceu pra reclamar. Tem horas que se arrepende, se sente como um criminoso vitima da ocasião. Pensa novamente que não deveria fazer parte disto ou daquilo, e sente que não faz parte de nada, mesmo que fatalmente apareça aqui e ali por causa das regras sociais.

Sorri. E sorri. Vãs são as pessoas que riem das coisas felizes desprezando a graça disfarçada de uma felicidade forjada. Elas estão acostumadas a ignorar e a "raivar" do que não passa de um desatino bem intencionado. Talvez nos encontrassemos se encontrassemos alguém como nós. Apesar de ciente dessa impossibilidade, essa sensação permanece juntamente com o anseio, com essa vontade ferrenha de aliviar-se com uma imagem real no lago de Narciso.

Somos humildes... não queremos o 100%, basta que nos complete por volta dos 70%. E isso me faz pensar que essa época do ponto de vista social está completamente amaldiçoada. Pessoas e máquinas, máquinas de pessoas, pessoas-máquinas. Nós até levamos em nosso coração a possibilidade de ser mal da idade dos 20... mas não é, já vejo nos pequenos um olhar tão vidrado como a própria alma.

Acho que nossa diferença nos perpetuou a não achar nada suficientemente a altura de nossa loucura. Tudo parece tão aleatório que silênciosamente gritamos: "um pouco de surpresa!".

Nós sabemos... que quando podemos damos ao deleite de ser criança pra conseguir a felicidade pura.

Saturday, May 2, 2009

Você acreditaria?

Aquele gostinho nauseante que amarga nas entranhas, tão entorpecedor seria tentar controlá-lo por causa da sua defesa infalível que é a força da naturalidade. Bem, não poderiamos negar que seria um mal inevitável, quando finalmente tomamos nós pra si, percebemos quão debilmente é triste, e não passa de uma dolorosa pontada no âmago do peito. De certo que os tempos nos roubaram a sensação nostálgica que não dependesse de ninguém, e ao mesmo tempo, liberto da subjetividade de quem nos cercasse. E o que finalmente, o que seria essa invasão de si para si, quando se está obrigado a ter mais em volta?

Perguntamos a um especialista se o que ecoava na mente seria normal, e tranquilamente nos aconselhou a ter algum tipo de assistencia. Quem pior que nós, para nos curar do próprio mal? Nada mais justo que o causa-dor cuide de suas causas. Aprenderá até seu limite o quanto ainda carregará de peso nas costas.

Nos dias comuns, o simplório "cotidiano", lá estamos na cansável insatisfação. Absolutamente tudo é insuficiente, intampável, incubrível pela incapacidade de saciar-se com o que lhe é servido constantemente. Ainda sim é preciso provar mais e mais, não só pelo dizer, nós temos a obrigação ferrenha de parecer que somos mais do que realmente somos. Não nos leve a mal, é questão de educação. Afinal requinte não nos falta, até na forma de suspirar e ser incompreendido pela diferença que nos destaca visivelmente do aglomerado.

De volta pro lar, era esperado um reencontro. Lá tudo estava do mesmo jeito de antes, só foi preciso um singelo resfriamento das lembranças, um isolamento daquela sociedade que nos obriga a redução. As palavras fluem com um misto de gelo e fogo, algo que de tão cruel acaba por chegar a extrema sensibilidade. Bruto e dolorosamente silêncioso que é o sofrimento. E n'alma transcede o sangue que jorra dos olhos, tão letal é a ferida que nunca se fecha, apenas resplandece quando é tocada pela falta de vigor do nosso semblante.

Tínhamos perdido o costume de como era sentir e reconhecer a falta da existência de si. Nada que mais urros durante a madrugada não resolvam a inquietação dessa insônia.

E se nós dissessemos, que isso representa um pouco do que pensamos a todo momento, que essas palavras apenas são um exemplo, que enquanto você fala conosco nós estamos tão distantes...

Nós queriamos acreditar, mas somos incapazes, agora.