Friday, September 24, 2010

Axiomas



A satisfação e a não satisfação tem o mesmo efeito em você. E no final era aquilo que você queria, mas aquilo se torna tão pequeno e irrisório, tão simples e tão vulnerável, que já não é um motivo de alegria, ou de bons sorrisos. Que bobo! É pequeno mesmo. Realmente é um sopro sutil no peito. Pequeno, sutil e fraco... algo que não merece tanta importância assim, superestimado.


Você é a atração e a multidão ao mesmo tempo. Você canta, encanta, grita, sorri e chora no mesmo show. A parte importante disso é como você consegue desvendar os outros e si mesmo, como você superar as adversidades e se superar.

II- Duas substancias que tenham atributos diversos nada têm em comum em si. (Ética, Espinosa.)

Como me descobrir pelo outro?

E levando isso pro lado da subjetividade: é pelo o outro (o seu não-ser) que você descobre quem é você. Porque precisamos de parâmetros, nós precisamos saber o que não somos pra saber o que somos. Sem referencias, sem provar dos sabores(doce) e dos dissabores(amargo) você não poderia dizer que aquele é e este é.

E quando digo, meu amigo, que preciso saber a causa disto ou daquilo, é porque preciso saber o que está acontecendo ao meu redor, eu preciso entender você nesse mundo, pra que eu possa me entender nele também. Costumam dizer "entender o mundo", como se fosse algo aquém, mas esse mesmo mundo é constituído de pessoas, e são elas que modificam a realidade, são elas que moldam o mundo, elas que o transformaram antes mesmo deu e você nascermos.

E se por acaso essa causa me é privada, se a sua lógica é camuflada e negada, que eu posso fazer? Me perder mais ainda nas veredas dessa humanidade? E se o que eu descubro é o máximo que me é permitido, o que ainda devo fazer ali? Estagnar naquilo que apenas me limita mais ainda?

Pela primeira vez é um texto sem final. Eu ainda não sei o que fazer. Não.. eu sei sim o que fazer.

Só não sei como.

Saturday, June 26, 2010

Sentimentos Nômades 2



Estamos de passagem neste mundo, eu e eu mesmo estamos acampando em vários pontos diferentes, mas permanecemos na mesma terra, no mesmo grande lar de todos os outros. Tudo que vivemos é aproveitado o quanto podemos. Dizemos o que realmente transborda de nossas almas, sussurramos aquilo que internamente é gritante, e externamente quase sem sonoridade.

E somos grandes demais para si mesmos. E eu creio que me faltaram pessoas nos tempos juvenis, porque só agora sinto a felicidade de uma possível boa humanidade.

Todos os dias nos encontramos, todas as noites nos perdemos. Nós temos que nos separar alguma hora, nós teremos que nos separar um dia por todas as horas. E eu me perco nessas perdas cotidianas, eu me perco nessas perdas de mim no outro, de partes não-minhas que eu encontro nos outros.

A impotência por não poder pegar os meus pedaços perdidos pelos caminhos, a consciência de que somos tão iguais quanto diferentes, a dor de perder aquilo que nem poderia me pertencer, a despedida dura e cruel do que eu gosto causada pela minha racionalidade(que mais me parece emocional)... Somos frágeis.

Somos um viajante de nossos próprios sentimentos, nós cultivamos eles com um amor intenso em cada lugar que passamos, choramos longe das luzes quando os abandonamos, e ficamos aparentemente firmes e fortes para aqueles que nos flagram nessa terrível dor de ter que tornar nossos sentimentos nômades.

Quem disse que isso evitaria sofrimento?

E eu e eu somos um misto de gelo e fogo: esfriando aquilo que mais amamos, e ardendo por dentro porque fatalmente tentando matar o outro em si, acabamos queimando torturosamente o nosso coração.

Nossos sentimentos nômades aos poucos acabam nos matando.

Saturday, June 12, 2010

Bicho na Cidade Selvagem



E no fundo somos catastroficamente ingênuos. O pior que temos uma boa assimilação com o real, mas acabamos por ser decaídos, traídos pelo próprio pensamento.

Entendo bem porque meu tempo foi preenchido, mas eu havia esquecido das causas disto. Docemente-amargamente me vem o por quê, a razão de um cotidiano cheio propositalmente.

O que eu estou achando disto tudo afinal? haha! Não há nada que não seja uma repetição.

Bem, vou voltar pra minha velha natureza com animais institivamente selvagens.

'Meau'.

Friday, June 11, 2010

Sentimentos Nômades




Simplesmente não fomos feitos pra isso. Digo 'nós', sempre 'nós', porque somos vários de si dentro de um só. Múltiplos e opostamente solitários nessa diversidade.

Lembro-me vagamente da idade pueril, do meramente 'ser'. E já carregávamos consigo este fardo que vem remissivamente nos torturar de tempos em tempos.

É como se um peso tremendo repousasse sobre o peito e arrancasse a cada descompasso de tempo um pedaço do restinho do sopro de vida que ainda resiste lá dentro.

De tão inumana que nós somos na essencia, resolvemos cair no deleite dos sentidos mortais.

Mas nós sempre soubemos que não fomos feitos pra isso.

Ou estamos totalmente enganados. Talvez sejamos os verdadeiros humanos nessa história de terror cotidiana. Somo tão humanos que sofremos por isso constatemente. E ser isso nos sufoca, ao ponto de querermos abdicar desses sentimentos.

E mesmo quando queremos nos largar, nos despedaçamos naquilo que nos torna hu-ma-nos.

Pior ainda é confessar que sentia saudades disso. A falta de si para-si.

Bem, a conclusão é sempre a mesma.

A inevitável necessidade de ir embora daqui.

Thursday, December 3, 2009

Moralidade

Homens, mulheres, pessoas e cacos de seres. Como se não bastasse esta pequena e miserável esmola do dia-a-dia, vem a doce e amável expectativa. Ela é cruel, contamina nossos mais bondosos e singelos pensamentos(na verdade daquilo que chamamos de coração). Acabamos por cair no engano originado da nossa própria natureza: a esperança. Mas ela é frívola porque foi contaminada pela humanidade, que febrilmente a utiliza com um débil descaso do impacto causado pela não concretização, ou mesmo pela impossibilidade atribuída pela "impessoalidade".
Queria eu poder dizer que sinto raiva de toda essa bolha que fui envolvida e que por estar dentro dela pensei que o improvável fosse palpável. Dar uma chance! Oh como dar uma chance tem um preço amargamente doloroso! De tantos dissabores nesta vida, o pior deles é amar o ser possível, o ser em potência, o ser contingente. Continuamos nesta linha férrea, vemos que não tem final enquanto continuamos a ter consciência do que se passa na viagem, e que, sinceramente preferimos continuar livres e límpidos do ideal que não escolhemos: o outro.
Novamente entendemos aquilo que infelizmente já sabiamos: nada na terra é suficiente. Bate uma vontade súbita, como um toque de recolher: Vamos? Vamos nos esconder!!! Mas vamos furtivamente desaparecer... de que? De nós, dos imperfeitos humanos. Por que? Por causa do cansaço de uma inutil luta, do tempo enganoso e doloroso que se passa, dos olhares amantes que não são amados, das perguntas e esperas não correspondidas, e finalmente, da dor fictícia e absurda da alma.
Você sabe do que nós precisamos agora? Eu preciso cair no esquecimento. Moral kantiana? Não! Trate as pessoas como um meio. O fim é algo que é seu por natureza.

Sunday, September 13, 2009

As Folhas Brancas Caem

No outono das mudanças a seiva escorre com tempo e nós já não sabemos mais quem somos. Com a visão tremida tentamos ler o que a luz, que deveria esclarecer, dificulta mais ainda nossa compreensão.

[editado - 5 parágrafos inúteis]

Sorte a minha, sorte a nossa. Apesar das minhas palavras crueis, eu ainda sim gosto.

Tuesday, June 23, 2009

O que é a vida?

A vida é respirar sem nunca ter tido a chance de escolher isto. É conviver todos os dias com nossa injustiça, insignificancia e ignorancia. É acreditar em algo que não tocamos, vemos, sentimos ou sabemos o que é ou o que foi, mas mesmo assim acreditamos. Eu poderia dizer de inumeras formas o que é a vida pra mim, mas nenhuma delas seria suficiente pra nós, porque a vida não passa do reflexo de nossa própria incompletude.